Girando
Girando,girando…ela parece até inocente, mas eu sei que ela não é. Elas nunca são! O vento da meia estação quase me engana, quase me acalma, quase me faz esquecer, mas não; esse é o meu dever. Ajudar, sempre ajudar. O vestido branco dela protege o seu frágil corpo, ela parece ter seus doze ou treze anos, a melhor idade, ainda são puras. Ela parece tão alva quanto às nuvens, com sua pele e seus cabelos loiros. Eu olho para minhas mãos calejadas e sei a justiça que elas podem fazer com essa filhote. E novamente o ar se enche com aquela música suave dos Bee Dees, e meu corpo também dança, meus pés parecem não correr. Eu alcanço a barra de seu vestidinho e o cheiro suave de alfazema penetra minhas narinas e… seu vestido branco, rosado, rosa, vermelho, sangue.