O dia da minha morte
Na tortura que me ficou
A loucura me consome
Como naquela noite
Em que veio um anjo da morte me abraçar
Com suas asas de sangue
Que só me deixou viver
Para sofrer eternamente bebendo a vida
Que corre nas veias dos puros
Eles, os puros, são minha vida
Me deixou também a morte como herança
E você? Como vigia
Para que eu não possa me livrar do meu destino
E o mais cruel de tudo
Foi ter me deixado a esperança de um fim inacessível
E de felicidade… Quando tudo que eu sinto é dor
Girando
Girando,girando…ela parece até inocente, mas eu sei que ela não é. Elas nunca são! O vento da meia estação quase me engana, quase me acalma, quase me faz esquecer, mas não; esse é o meu dever. Ajudar, sempre ajudar. O vestido branco dela protege o seu frágil corpo, ela parece ter seus doze ou treze anos, a melhor idade, ainda são puras. Ela parece tão alva quanto às nuvens, com sua pele e seus cabelos loiros. Eu olho para minhas mãos calejadas e sei a justiça que elas podem fazer com essa filhote. E novamente o ar se enche com aquela música suave dos Bee Dees, e meu corpo também dança, meus pés parecem não correr. Eu alcanço a barra de seu vestidinho e o cheiro suave de alfazema penetra minhas narinas e… seu vestido branco, rosado, rosa, vermelho, sangue.