A Viagem
Carolina olhava fixamente para a pista. Ela tinha medo de sair da estrada, logo assim, de noite.
Enquanto isso, pensava como aquele cenário era próprio para um filme de terror. Uma estradinha ladeada por árvores grandes dos dois lados, nada iluminando além dos faróis, nenhuma cidade por duas horas para os dois sentidos da estrada e um casal recém-casado.
Carolina olhou para o lado admirando o marido. Ele tinha dirigido o dia todo, era justo que dormisse um pouco, afinal era mesmo uma viagem longa. Sabia que ele não gostava da idéia de visitar a mãe dela, mas tinha ido mesmo assim. Seria realmente ruim se alguma coisa acontecesse.
A noite estava limpa, por entre a copa das árvores dava para ver a lua bem cheia.
Exatamente por causa desse cenário, Carolina achou muito estranho ter um gordo vestido com uma roupa toda laranja correndo à margem da rodovia sem acostamento. O buraco a frente pareceu menos importante que aquela coisa bizarra, mas o pneu não achou o mesmo.
Alberto despertou com o barulho do pneu estourando.
O carro ficou desgovernado. Tudo aconteceu muito rápido, quando perceberam os dois estavam em um buraco no acostamento.
- O que aconteceu? – perguntou Carolina aflita.
- Acho que foi o pneu, meu amor. Espera aqui.
Ao tentar sair Alberto sentiu o pulso, ele viu que o tinha torcido, mas não queria assustar a esposa. Ele tentou amenizar a expressão de dor, mas foi impossível.
- O que foi querido?
- Nada não.
Porém, essa estava longe de ser a verdade. Ao olhar o carro, Alberto deu um suspiro. Os dois pneus da frente estavam furados, além do carro estar com a frente quase enterrada e, pela inclinação do buraco, ele achava muito difícil que eles conseguissem mover o veículo. Ele colocou a cabeça para dentro do vidro e contou as novidades para a esposa.
- Pronto, agora me dá o celular, aí! – ele disse.
- Só falta não ter cobertura aqui!
Dito e feito, nenhum dos dois celulares tinha conexão.
- Que coisa, querido. E agora? O que a gente faz?
- Pelo menos não está chovendo, amor! – disse Alberto sorrindo.
O sorriso durou apenas até a primeira gota cair. O marido entrou novamente no carro e fechou os vidros. Ele sabia que com a chuva ficaria ainda mais difícil tirar o carro dali.
- Estou com medo. O que faremos? Vamos passar a noite aqui?
- Calma, Carolina. Tenho certeza que alguém mora por aqui. Eu vou sair e dar uma olhada, assim eu posso encontrar um lugar pra gente dormir ou achar um telefone.
- Amor, o que é aquela coisa ali?
Alberto fechou um pouco os olhos e pôde ver uma luz tênue.
- Olhe, querida. Viu o que eu te disse? Uma luz, vamos lá! Não quero deixar você sozinha aqui.
Quando chegaram, encharcados, na casa, a porta estava entreaberta. Carolina deu um passo para trás, queria muito voltar para o carro.
A coisa parecia mais com um projeto de casa, com suas madeiras todas soltas, sem calçada, ou iluminação. Eles descobriram que a luz que tinham visto era de um lampião velho, com pouco óleo. “Telefone então, nem pensar!” pensou Carolina.
Alberto olhou para dentro e ficou aliviado.
- Aqui dentro não chove, querida. E tem um piso limpo.
- Amor, eu não quero ficar aqui, alguma coisa de ruim vai acabar acontecendo.
- Não seja boba, eu estarei aqui para proteger você.
Entraram.
A tapera tinha apenas três cômodos, uma cozinha, um banheiro e uma sala. Curiosamente estavam todos limpos, apesar de serem pequenos.
- Essa casinha atendeu às minhas preces. – disse Alberto – Queria mesmo um lugar limpo.
Ele encontrou uma mesa de centro e pousou o lampião.
A chuva estava ficando cada vez mais forte e os relâmpagos davam uma impressão de discoteca a tudo aquilo, quando a porta bateu violentamente.
Carolina deu um grito e Alberto abraçou sua esposa. Atrás da porta estava um rapaz de no máximo 20 anos, cabelos bem pretos ocultando o rosto e olhos escuros. O que impressionou Carolina foi a palidez do rosto do rapaz e sua magreza.
- Desculpe-nos, não queríamos invadir a sua casa, senhor – se adiantou Alberto.
- Essa casa não é minha, é de vocês.
A voz dele era ainda mais bizarra, ela parecia ecoar pela casa.
- Não, o senhor deve estar enganado, nós acabamos de chegar! – disse Carolina, timidamente assustada.
- Não, Carolina, vocês queriam essa casa, ela é de vocês.
- Como você sabe meu nome, menino?
- Eu sei tudo sobre vocês! Eu sou fruto da sua imaginação.
- Como assim? Você está louco? – se enfureceu Alberto.
- Tudo que está acontecendo aqui foram vocês que quiseram. Aliás, foram vocês que pediram.
Um sorriso macabro estava marcado no rosto jovem do rapaz.
- Querem sair? Então peçam.
O casal se entreolhou. Alberto achava aquilo tudo pura loucura, mas Carolina estava apavorada.
- Não, eu sei que você quer nos matar. – ela gritou desesperada.
O sorriso macabro no rosto do rapaz cresceu para uma gargalhada sonora que percorreu todos os cômodos da pequena casa.
- Agora é. Obrigado, minha querida.
Entre um relâmpago e outro o rapaz desapareceu.
- O que eu fui fazer? – Carolina colocou a mão no rosto e caiu no chão chorando.
- Calma querida, isso tudo é uma besteira, não existem coisas assim.
Alberto se levantou e trancou a porta, observou as janelas e verificou se estavam fechadas. Voltou para consolar sua mulher.
- Sua boba, foi só algum moleque tentando nos assustar. Nada mais.
Carolina olhou para seu marido e quis que isso fosse verdade.
- Olha só, meu amor. Vou te mostrar que isso é uma bobagem. Eu estou morrendo de fome, queria uma lasanha bem quentinha, pronta em cima da mesa da cozinha! Agora vá lá ver… Não vai ter nada.
Carolina se levantou devagar, talvez seu marido tivesse razão, era uma loucura. Mas, quando chegou à cozinha, não pôde conter seu grito. Alberto correu para olhar, e lá estava a lasanha, exatamente como ele tinha imaginado.
Os dois ficaram em silêncio enquanto Alberto comia. Carolina não tinha apetite na atual situação.
- Tudo bem, sabemos agora que estamos vivendo essa loucura, mas não vamos nos precipitar. Vamos tomar muito cuidado com o que falamos, tudo bem, querida?
- Tudo bem, amor.
- Primeiro, vamos tornar as coisas melhores para nós. Eu quero que a chuva pare.
O casal olhou para fora, e a chuva foi ficando mais fina.
- Viu, amor! Temos uma chance. Não fique tão nervosa.
Carolina assentiu com a cabeça.
- Vamos tentar outra coisa. Não quero que o rapaz tente nos matar.
Novamente os dois olharam ao redor.
Quando Alberto ia sorrir de satisfação uma dor aguda o impediu.
Olhou para sua esposa e viu o terror em seus olhos. Virou seu rosto e pôde ver o mesmo rapaz macabro com uma grande faca de carne perfurando sua mão direita, com um dedo na boca, fazendo o sinal de silêncio. A dor era muita, mas ele conseguiu se concentrar para não gritar. Carolina fez um movimento para se levantar em direção ao menino, mas este fez um sinal com a mão.
- Se eu fosse você, não levantaria.
Alberto assentiu com a cabeça, e Carolina continuou sentada.
- Então, o senhor engraçadinho aqui acha que sabe como isso funciona?
Enquanto falava, o menino foi aproximando sua boca do ouvido de Alberto.
- Mas você não faz nem idéia! – disse sussurrando.
E começou a mexer a faca em círculos, enquanto o sangue escorria pela mesa.
- Não, por favor! Por quê está fazendo isso? Pare! – gritou a mulher muito assustada.
- Vocês não mandam mais em mim. Agora que eu saí das suas cabeças. Agora eu sou de verdade, posso fazer o que eu quiser.
Aproveitando da distração do menino ao conversar com sua esposa, Alberto fechou bem a mão esquerda e bateu com força na têmpora do rapaz. Ele cambaleou.
Alberto sentiu a dor intensa no pulso torcido, mas engoliu o grito novamente. Ela, notando a situação, correu e tirou a faca de carne da mão de seu marido. Os dois correram para fora da casa, em direção ao carro.
Carolina estava com a faca em uma mão e a outra segurando a mão do marido, quando esse se deteve. Ela estava prestes a gritar furiosa com ele, quando virou a cabeça e viu um facão enferrujado perfurando o peito de Alberto de trás para frente. Por um momento ela pensou que o facão estava lá sozinho, quando viu a figura do jovem sair das costas de seu marido.
- Corre! – murmurou Alberto.
Carolina correu.
O menino tirou o facão das costas de Alberto, que caiu no chão. Ele sabia que eram seus últimos momentos.
- Sabe a beleza toda da coisa? – o rapaz começou a divagar – Com você morto, ela não pode fazer pedido nenhum, sabe. Só vocês dois podem. Não é bonito? Agora MORRA!
O rapaz macabro começou a desferir vários golpes no corpo de Alberto, que só conseguia pensar no final, “tomara que isso acabe rápido”.
Com o rosto todo ensangüentado, o que tornava a figura dele ainda mais estranha, o jovem foi atrás de Carolina.
Ele sabia tudo sobre ela, sabia até mesmo onde ela se esconderia e mais, sabia que ela não iria se defender. “Menininha frágil”, ele pensou. E foi até o carro.
Carolina tentava ao máximo se esconder no banco de trás do carro, mas não conseguia conter sua respiração. Ela rezava. Nunca tinha sido religiosa, mas agora, estava rezando fervorosamente.
- Pai nosso que estais no céu…
- Carolinaa… – veio de uma voz ao longe.
- Santificado seja vosso nome…
- Eu sei que está aí, não precisa se esconder!
- Venha a nós o vosso reino…
- Achei!
O rosto do rapaz, sujo de sangue do seu marido, estampado na janela, parecia algo irreal. Ela não queria estar ali, tudo aquilo era muito mais que sua cabeça poderia agüentar. Ele começou a golpear a janela com o cabo do facão.
O medo estava nublando as percepções de Carolina, que em menos de um instante viu tudo ficar preto.
Ela ainda despertou com alguns homens a carregando para uma ambulância, e desmaiou novamente.
O cheiro forte de desinfetante a acordou. Os olhos demoraram a se acostumar com a claridade, porém, podia ver que estava em um hospital. Um alívio passou pelo seu corpo, estava a salvo, ao mesmo tempo em que uma tristeza também a abatia. O seu marido estava morto, sua vida estava em pedaços agora.
Percebeu que o quarto estava cheio de pessoas.
- Ela acordou – disse o médico mais próximo – saiam todos.
Carolina viu pessoas assustadas saindo de seu quarto, uma a uma, menos o médico e um policial.
- Senhora, o oficial Pessoa gostaria de fazer algumas perguntas.
- Claro.
Carolina se ajeitou na cama, pensando no que iria dizer para o policial. Não queria parecer uma louca.
- Eu gostaria que a senhora me contasse o que aconteceu. Claro, que se a senhora quiser, eu posso chamar um advogado ou entregar uma intimação para comparecer na delegacia. É a senhora quem sabe.
- O senhor acha que eu sou uma suspeita?
O médico e o policial se entreolharam.
“Claro que eles acham”, pensou Carolina. “Que idéia a minha!”
- Oficial, tinha um homem lá. Um rapaz de uns 20 anos mais ou menos.
O policial logo pediu um retrato falado do rapaz.
Todos tinham saído, era de noite e as luzes estavam apagadas. Carolina não sabia o que fazer, ela duvidava que a polícia encontraria o rapaz e tinha medo que ele viesse terminar o serviço. Mas uma dúvida ainda maior a afligia, “será que eu sou louca?”, “será mesmo que eu matei o Alberto?”. Essa dúvida corroia Carolina por dentro.
Nos outros dias, sua mãe chegou e as coisas se acalmaram um pouco. Carolina tinha sofrido pouco, mas ainda estava em observação, por causa de uma batida na cabeça.
Já estava convencida que ela tinha matado seu marido, e que estava completamente louca. Não queria mais sentir esse remorso horrível.
Um médico entrou no seu quarto. Disse que o policial logo viria buscá-la, corriam uns boatos que ele tinha um mandado de prisão.
Carolina respirou suspirou.
- Melhor assim, doutor. Acho que eu sou uma ameaça mesmo.
Um enfermeiro entrou no quarto, mas ela não pôde ver seu rosto por causa do médico. Ele ainda disse que ela ainda estaria mais alguns dias de repouso, para terem certeza que nada errado tinha acontecido com ela.
Carolina podia ver o sentimento que o médico estava nutrindo por ela, e achava tudo aquilo estranho. Ela ainda não tinha se acostumado com a falta de Alberto.
O médico sorriu, e pediu para que ela relaxasse. “Ainda existe vida depois de toda a tragédia”, ela pensou.
Carolina sentiu a agulha picar o seu antebraço, e foi apenas quando o enfermeiro se aproximou que ela pode ver seu rosto.
O jovem enfermeiro sorria um sorriso macabro, um sorriso que ela já conhecia.
Fred H disse,
Janeiro 15, 2008 às 1:29 am
e aaai mulher!!
olha só finalmente esse conto foi terminado em!!1 parabéns!!
olha devo te dizer qeu eu tava achando meuio estranho o começo
muito rapido sabe, mas eu tenho essa mania de contos ou
hitórias longas, hauhaua, mas sabe que eu gostei do final, ficou
tipo parecendo um a historia do stephen king, não tem muitas
esplicações, ela simplesmente acontece heuehuehe achei legal
o final foi bom!!
beijos falo ai!!
severina disse,
Junho 6, 2009 às 10:21 pm
GOSTEI MUITO DA HISTÓRIA E QUERIA SABER SE ESSA HISTÓRIA É REAL ?
BEIJOSS DE SEVERINA A TODOS QUE LEÊM ISSO …
ADORO ♥♥♥
severina disse,
Junho 6, 2009 às 10:22 pm
GOSTEI MUITO DA HISTÓRIA E QUERIA SABER SE ESSA HOSTÓRIA É REAL ….
BEIJOS DE SEVERINA PARA TODOS QUE LEÊM ESSSAS COISASS …
ADOROOOO ♥♥
FABRICIA disse,
Junho 19, 2009 às 7:17 pm
muito leghal
xD disse,
Julho 27, 2009 às 12:37 am
SEVERINA… QUANTOS ANOS VOCE TEM?
4?
TALVEZ 5?
EH OBVIO QUE NÃO É REAL…
TENTA CRIAR UM MULEKE MACABRO PRA VOCE
SE CONSEGUIR ME AVISA TAH?